Qual a cor da pobreza?
Trabalho realizado em 2001 para um grupo de ativistas do movimento negro.
Acácia Novaes
Qual a cor da pobreza?
Conferência internacional sobre Preconceito racial. Realizado no Hotel da Bahia. Palestrante Johnson Cobs, norte americano.
_ Dt. Johnson começa a palestra com uma frase muito expressiva:
“Apesar dos preconceitos sou um dos donos dos Estados Unidos!”.
_ Parece piada, mas eu gostaria de gritar isto com relação ao Brasil. Infelizmente nosso país está “à venda”. È provável que este mesmo norte americano venha ao Brasil mais tarde e grite: “Eu sou um dos donos do Brasil!”.
“Olhei os rostos tristes daqueles negros. Não havia evidências que eles estão rompendo as amarras da escravidão!”. (ele relata o fato de ter visto nos quadros do mesmo saguão do Hotel que nos encontrávamos, o Hotel da Bahia, em 1973).
_ Hoje olho não para quadros de saguões e sim nos rostos dos negros da Bahia, os mesmo que passeiam pelas praias de Salvador, em pleno século XXI. Eles sorriem! Eles ainda não romperam as amarras da escravidão, mas também não estão com rostos tristes. Penso que os negros da Bahia não enxergam essas amarras, isso torna muito mais difícil, porque não dá pra quebrar correntes sem enxergá-las.
“Fui preso porque estava dirigindo negro!”.
_ Os negros dos Estado Unidos costumam ironizar com esta frase quando são parados por um guarda de trânsito. È uma espécie de “humor negro”.
“Nós negros mesmos que não aceitemos a idéia de um irmão devemos apoiá-lo, porque um representante nosso somos nós! E nós precisamos nos apoiar!”.
_ È comum nos Estados Unidos negros comprarem suas roupas em lojas de negros, porque com isso eles se fortalecem, crescem juntos. Aqui no Brasil a realidade é outra. Com a educação precária e seu complexo de inferioridade somente se valoriza e apóia o que é do branco. Entre o importado e o nacional, qual a sua escolha?
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