Orquestra Sinfônica da Bahia... Pura leveza!
Fui assistir uma apresentação da Orquestra Sinfônica da Bahia (OSBA), regida pelo maestro Benoît Willmann, na verdade, foi a minha primeira vez em um concerto (lamentável). O teatro não estava cheio, então, sentei lá no fundo. Depois de um dia estressante de faculdade e trabalho, sentar naquela confortável cadeira do TCA, foi um alívio!
Inicia-se a apresentação! E aquela grande potência sonora, me fez imaginar que a qualquer momento o filme iria começar. Aquela harmonia me fez “ir as nuvens”, a sensação era a mesma de estar recebendo um passe no centro espírita. Pura leveza.
Acenderam-se as luzes! Acabou? Não. Foi só o intervalo. Ô falta de costume... Eu e meu namorado decidimos mudar de lugar, fomos para a primeira fileira, bem de frente para o maestro, queríamos ver cada movimento que o homem faz para tirar de cordas, madeiras, metais, aquela preciosidade sonora.
O mesmo espetáculo, o mesmo músico e olha só... O mesmo maestro! Lá do fundo, imaginei que havia troca de maestro, pois várias vezes, ele saiu e foi muito aplaudido e segundos depois voltava, e era ainda mais aplaudido. Pensei, será um rodízio de maestros? Não! Na verdade, a platéia estava bastante confusa em relação aos aplausos, e lá na frente deles, dos anjos da música, pude perceber suas expressões e eles riam pelo excesso de aplausos e pela falta deles.
Violinos, violas, violoncelos, contrabaixos, harpas, flautas, flautins, clarinetes, trompetes, trombones, trompas, tubas, instrumentos de percussão, instrumentos de teclas, ufa! São muitas pessoas tocando a mesma harmonia. Olhando assim, tão de perto, começo a perceber os detalhes, de seus gestos, seus olhares, suas vestes, seus sapatos (todos pretos), mas, o mais lustroso era o de um negro. Mesmo sentado lá na última fileira, dos violinos (nem sei se tem hierarquia pra isso), mesmo distante, fiquei muito feliz da Orquestra Sinfonia da Bahia ter entre os seus músicos, negros. Eram três. No país dos excluídos, do preconceito enrustido, da hipocrisia, das injustiças. Enfim, Todo aquele discurso já debatido... Senti ainda mais orgulho da raça.
Entre as obras de Pavane de Maurice Ravel, Pelléas et Mélisande, Op. 80: Suíte de Gabriel Fauré, Carmem: Suites n°1 e 2 de Georges Bizet e Bolero de Maurice Ravel, é impossível não pensar em amor. Vi dois violinistas da primeira fila, uma mulher oriental e um homem com cara de americano criado com vó, faziam-me imaginar aqueles amores platônicos: Ele solteirão, solitário, procurando o grande amor da sua vida, e ela solteirona, solitária e sabendo que é o grande amor da vida dele. Mas, ficam os dois ali... Tocando. Seus olhares não se encontram, ela olha apaixonada e suspira, enquanto ele se concentra na partitura, ela olha a partitura e ele a olha indiferente, mas olha.
Voltemos ao maestro. Concentrado, ávido pela recompensa (os aplausos de pé), comandava aquele agrupamento instrumental, com força, dinamismo e simpatia, quebrando a figura do maestro ditador, prepotente, que dita as ordens. Este maestro em questão sorri.
Eu nem sabia da existência de tantos instrumentos, cravo, órgão tímpanos, carrilhão sinfônico, trompas, tubas, oboés, fagotes, contrafagotes (pesquei na net), cada um com a sua função. Lembrei do que senti ao ouvir a primeira música, sensação de receber um passe, uma energia divina. Talvez hoje eu possa discutir religião. Nesta noite eu à vi de uma forma especial. Imaginei que cada instrumento tocado ali, pretendia tocar à Deus, ao divino, assim, como toda e qualquer religião, que tem como função, chegar ao Pai, ao mestre, e com sons tão distintos, elas se unem num só objetivo, a harmonia.
O mundo está precisando de mais apresentações promocionais de orquestras sinfônicas, para que todos, ricos e pobres, possam chegar a harmonia espiritual, ou então entremos em uma igreja, terreiro, centro espírita... Mas, que encontremos a paz!
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