Trotes na STELECOM (190)
O Centro de Operações da Superintendência de Telecomunicações da Secretaria da Segurança Pública (STELECOM) conta com um CALL CENTER que possui 20 posições de atendimento e um TELEDESPACHO com 16 posições, distribuídas entre todas as corporações para deslocamento das viaturas até o local do fato, tornando mais ágil e eficaz o atendimento ao cidadão. Porém, de acordo com a Superintendência de Telecomunicações da Secretaria da Segurança Pública (STELECOM), os trotes telefônicos têm sido cada vez mais frequentes, tornando o trabalho da polícia ainda mais difícil.
A Coordenadora Operacional da STELECOM, Dtª Maria Imperatriz Cardoso, afirma que 80% das chamadas não geram ocorrência, sendo que destes, 50% são os famosos trotes telefônicos, para fins de brincadeiras, zombarias, geralmente cometidos por crianças que não tem orientação em casa. “Muitas vezes orientamos a criança a não ligar mais para o 190 sem que haja um motivo, e acrescentamos que elas podem estar tirando a vida de outras pessoas, elas então, pedem desculpa e não voltam a ligar. Precisam apenas ser orientadas”, diz Dtª Imperatriz. Agora com a volta as aulas os números destas chamadas aumentam ainda mais, porque crianças e adolescentes juntam-se para passar estes trotes em horários que coincidem com os da entrada, saída e intervalo da escola, além de muitas vezes aproveitarem da ausência dos pais, para cometer esse delito. Mas, infelizmente não são apenas as crianças que cometem esse crime, os adultos também e de forma ainda mais nociva, por se tornarem mais difíceis de identificar pelos atendentes. O resultado é o deslocamento desnecessário das unidades. Diariamente chegamos a ter até duas saídas para atender chamadas que se revelam falsas. Os 30% tem como destino os números tarifados, quando o cidadão liga para o 190 para informações ou mesmo para falar com outros setores, pedindo transferência da ligação, dessa maneira não pagam a ligação. Assim como, as ligações destinadas ao disque denuncia, que é uma forma de comunicação entre a população e a polícia, o serviço oferecido é uma parceria entre a ONG MOVBAHIA e a Secretaria de Segurança Pública, onde se recebe e se processa as informações fornecidas pelo cidadão, ajudando no combate ao crime e na manutenção da ordem pública. Porém é um número tarifado, e muitos cidadãos ligam para o 190 e pede transferência para esse setor. “Neste caso, nem podemos reclamar, pois o número do disque denúncia é 71 3235 0000 e muitas pessoas que querem fazer uma denúncia, muitas vezes não tem como pagar essa ligação, esse serviço já deveria ser gratuito!”, afirma a Coordenadora da STELECOM.
Por fim, os 20% das chamadas, essas sim, geram ocorrência, e fazem jus ao serviço do 190, onde se tem um serviço público de prevenção e combate ao crime.
Falta conscientização à população, para a gravidade do problema e falta também propostas para o combate aos trotes telefônicos aplicados contra os serviços de atendimento às chamadas de emergência. Isso gera gastos à máquina pública, além de deixar uma equipe indisponível para alguma ocorrência real. São considerados exemplos de chamadas de emergência aquelas dirigidas aos números 190 (PM), 192 (SAMU), 193 (Bombeiros), 197 (Polícia Civil) e 181 (Entorpecentes). Conscientizar a população sobre os prejuízos dos trotes. As campanhas educativas devem ser orientadas prioritariamente ao público infanto-juvenil. Mas, além das chamadas com fins de brincadeira, há também solicitações de viatura por motivos banais, deixando muitas vezes, de ser atendido um caso com maior gravidade. Passar trotes telefônicos é crime. E os infratores estarão sujeitos às penas previstas no artigo 340 do Código Penal Brasileiro que prevê detenção de um a três anos, além de multa para quem interromper ou perturbar a prestação de serviço público.
Apesar do aumento de pessoal no setor de call center, contado com 100 novos atendentes, concursados através do REDA (Regime Especial de Direito Administrativo), em 2009, e além de não haver espera no atendimento, nem mesmo a possibilidade de se perder uma ligação, há uma grande preocupação entre os funcionários e coordenação, quanto a negligencia no serviço. Porque com o grande fluxo de trotes, por mais treinado que esteja o atendente, ele acaba por duvidar, quase sempre, do que houve, e pode com isso, pôr vidas em risco.
Há também casos curiosos como o de um trote constante, da mesma pessoa, que mobilizou a polícia e a imprensa. “Um homem que realizou mais de 500 ligações para o setor, acabou sendo pego pela polícia, mas constataram que o cidadão tinha problema mental, enviado ao hospício, respiramos aliviados, mas o homem voltou as ligações de costume, nos mesmos horários... Pois, no hospício havia um orelhão”, conta sorrindo a atendente da STELECOM , Josimeire Batista.
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