19.4.09

Mulher na direção e eu na contramão


Na eminência de concluir uma vídeo reportagem sobre mulheres que dirigem ônibus em Salvador, me deparei com tamanho obstáculo... a vaidade humana.
Srª. Lindaura chefe do departamento pessoal de uma empresa de ônibus, que tem como motoristas duas mulheres, é a única responsável em autorizar o acesso às informações e contatos. Sentindo-se importante Lindaura pede para esperar, diz que não pode atender, ou que está viajando e só volta na próxima semana. Um jornalista não pode desistir de sua fonte, mas pode procurar por outras. No mesmo dia que decide procurar outra empresa, consegui todas as informações e itinerários das motoristas, mas continuei a peregrinação com Srª Lindaura, talvez por curiosidade, queria mesmo era saber qual seria a resposta final da vaidade, ou melhor, de Lindaura depois de um mês de insistência. Nesse meio tempo consegui contatos para outros trabalhos acadêmicos com pessoas digamos, menos vaidosas como Lia Robnatto, coreógrafa e autora de mais 30 espetáculos de dança, que publicou o livro "Passos da Dança na Bahia”, em parceria com Lúcia Mascarenhas. Dirigiu o BTCA, implantou a Escola de Dança da FUNCEB, primeira escola pública dedicada à linguagem do país, coordenou a Usina de Dança do Projeto Axé, assim como o jornalista e crítico de dança Joceval Santana, também Cristina Castro, dançarina, diretora, coreógrafa e professora de dança contemporânea, Dulce Aquino, diretora da Escola de dança da Universidade Federal da Bahia (UFBA), graduada em dança pela UFBA, com doutorado em Comunicação e Semiótica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, e finalmente Lúcia Mascarenhas, que recebeu a nossa equipe em sua casa. Todas as pessoas citadas se dispuseram, já no primeiro contato, para possíveis entrevistas. Comentei o caso ou o descaso, o desinteresse humano pelo próximo, como no “caso Lindaura”, à Lúcia Mascarenhas e fizemos uma comparação de ofícios, cheguei a conclusão de que Lindaura não deve exercer a função da qual sonhou, não deve ser uma pessoa realizada. O profissional de dança, de teatro, de música... Das artes, geralmente são mais entregues, são mais felizes, porque a arte envolve mais que o intelecto, que o retorno financeiro, que a concorrência, a arte envolve coração, vida, e a vaidade do artista fica restrita aos aplausos, ao reconhecimento. Acho que Lindaura deveria fazer teatro, ela precisa de aplausos.
Ah! Tenho que relatar que finalmente Lindaura deu o meu contato a uma motorista de ônibus, curiosamente o nome é Socorro. Eu preciso mesmo disso! Socorro é muito simpática e quando desabafei com ela, ao telefone, sobre as dificuldades de conseguir o seu contato, ela me respondeu: “Sou mais difícil de encontrar do que a mulher de Lula, sou uma pessoa muito importante, sabia?” E sorriu. Aplausos para Socorro ela merece!

2 comentários:

Priscila 20 de abril de 2009 às 14:36  

Olá!!
Não sabia que vc tinha blog n!!!!
Tambem tenho...
é...esse seu texto mostra as dificuldades da nossa profissão;

Ta lindo o blog!

=*

Jeniffer Santos 20 de abril de 2009 às 23:49  

Opa...isso aqui ficou lindoo heinn!
bom txt acáciana...hauhaha!

beijos

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