1.12.09

Saia justa


Em atividades profissionais, tenho como uma das ‘obrigações’ ler muitas notícias, principalmente em sites, onde as informações são atualizadas quase que instantaneamente. Hoje, me surpreendi com a manchete: “ONU: 200 milhões podem migrar até 2050 por mudanças climáticas”. Um problema humano, provocado pela atividade humana, com conseqüências gravíssimas. Isso dá margens a muitas reflexões, mas nem tive tempo pra isso, dando uma circulada pela página, percebi que em maior destaque do que a nota anterior estava a participação de Geisy no programa da Rede Globo, Casseta e Planeta. Aí sim, a minha surpresa foi maior e os motivos para reflexões triplicaram-se.
Acredito que o caso Geisy, nem necessite de apresentação, mas vamos lá! A moça que foi quase linchada e quase expulsa da Uniban de São Bernardo do Campo, porque foi assistir aula com um vestido rosa - choque, muito curto. E que por esse motivo, estudantes conservadores, puritanos, que desejavam vê-la fora dali, se possível queimá-la na fogueira para ser nomeada como exemplo, e para que nenhuma outra moça ousasse a se comportar de maneira tão “ofensiva e lasciva”. Para banir a aluna da Instituição, estes exemplares alunos, gritavam gentilmente, “puta, puta”. A moça teve de se retirar sob proteção policial. Depois de tantos insultos, constrangimentos e exposição da aluna e do nome Faculdade, a Uniban tomou a pior atitude, anunciou a expulsão da aluna, o que provocou reações imediatas. Alunos de outras instituições tiraram a roupa em protesto, o MEC afirmou que pediria explicações da Uniban, enfim, Geisy virou notícia internacional.
O site do "New York Times" publicou com destaque uma reportagem com o título "Estudante é expulsa no Brasil após vestir minissaia". "El País" também publicou reportagem sobre o caso na capa, com foto da estudante. No "Guardian", do Reino Unido, o título era "Estudante brasileira é expulsa por ir de minissaia às aulas". O "Pakistan News" publicou foto de Geisy e fez questão de lembrar a imagem que o Brasil tem, bundas com biquínis curtíssimos. O mundo se espantou com a atitude de jovens brasileiros exigindo que os "princípios éticos e a dignidade e a moralidade acadêmica" fosse mantida.
Esse lastimável episódio, mas necessariamente a repercussão internacional sobre o assunto, me fez lembrar outra notícia que li à pouco tempo. Vocês lembram o ofensivo e preconceituoso comentário, que a atriz americana Wanda Sykes, fez quando o Brasil foi escolhido para sediar as Olimpíadas de 2016? Pois, lembrem! A atriz indagou se o Comitê Olímpico, que fez a escolha, havia incluído ‘prostituição’ em suas modalidades esportivas e que talvez, no Rio de Janeiro, haveria uma competição para escolha da bunda mais bonita. Fico imaginando o nó que deu na cabeça dela, quando viu a notícia sobre Geisy (risos).
Não estou aqui defendendo a atitude destes vândalos, criminosos, selvagens que hostilizaram uma menina de 20 anos, que cometeu um terrível erro... O mau gosto na hora de se vestir. Só estou tentando entender quais são os nossos valores, quais são as nossas prioridades e que é país esse. Não quero medir o tamanho do meu vestido ou do meu biquíni com o tamanho da mentalidade de quem estará no mesmo ambiente que eu.
“ONU: 200 milhões podem migrar até 2050 por mudanças climáticas”. Mesmo o site dando menos destaque, é essa manchete que não me sai da cabeça. Já tinha pensado nisso, mas agora, é fato! Vou-me embora para o Capão, antes que falte um lugarzinho para mim.

O Paraíso me espera!

Acácia Novaes

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15.5.09

Orquestra Sinfônica da Bahia... Pura leveza!

Fui assistir uma apresentação da Orquestra Sinfônica da Bahia (OSBA), regida pelo maestro Benoît Willmann, na verdade, foi a minha primeira vez em um concerto (lamentável). O teatro não estava cheio, então, sentei lá no fundo. Depois de um dia estressante de faculdade e trabalho, sentar naquela confortável cadeira do TCA, foi um alívio!
Inicia-se a apresentação! E aquela grande potência sonora, me fez imaginar que a qualquer momento o filme iria começar. Aquela harmonia me fez “ir as nuvens”, a sensação era a mesma de estar recebendo um passe no centro espírita. Pura leveza.
Acenderam-se as luzes! Acabou? Não. Foi só o intervalo. Ô falta de costume... Eu e meu namorado decidimos mudar de lugar, fomos para a primeira fileira, bem de frente para o maestro, queríamos ver cada movimento que o homem faz para tirar de cordas, madeiras, metais, aquela preciosidade sonora.
O mesmo espetáculo, o mesmo músico e olha só... O mesmo maestro! Lá do fundo, imaginei que havia troca de maestro, pois várias vezes, ele saiu e foi muito aplaudido e segundos depois voltava, e era ainda mais aplaudido. Pensei, será um rodízio de maestros? Não! Na verdade, a platéia estava bastante confusa em relação aos aplausos, e lá na frente deles, dos anjos da música, pude perceber suas expressões e eles riam pelo excesso de aplausos e pela falta deles.
Violinos, violas, violoncelos, contrabaixos, harpas, flautas, flautins, clarinetes, trompetes, trombones, trompas, tubas, instrumentos de percussão, instrumentos de teclas, ufa! São muitas pessoas tocando a mesma harmonia. Olhando assim, tão de perto, começo a perceber os detalhes, de seus gestos, seus olhares, suas vestes, seus sapatos (todos pretos), mas, o mais lustroso era o de um negro. Mesmo sentado lá na última fileira, dos violinos (nem sei se tem hierarquia pra isso), mesmo distante, fiquei muito feliz da Orquestra Sinfonia da Bahia ter entre os seus músicos, negros. Eram três. No país dos excluídos, do preconceito enrustido, da hipocrisia, das injustiças. Enfim, Todo aquele discurso já debatido... Senti ainda mais orgulho da raça.
Entre as obras de Pavane de Maurice Ravel, Pelléas et Mélisande, Op. 80: Suíte de Gabriel Fauré, Carmem: Suites n°1 e 2 de Georges Bizet e Bolero de Maurice Ravel, é impossível não pensar em amor. Vi dois violinistas da primeira fila, uma mulher oriental e um homem com cara de americano criado com vó, faziam-me imaginar aqueles amores platônicos: Ele solteirão, solitário, procurando o grande amor da sua vida, e ela solteirona, solitária e sabendo que é o grande amor da vida dele. Mas, ficam os dois ali... Tocando. Seus olhares não se encontram, ela olha apaixonada e suspira, enquanto ele se concentra na partitura, ela olha a partitura e ele a olha indiferente, mas olha.
Voltemos ao maestro. Concentrado, ávido pela recompensa (os aplausos de pé), comandava aquele agrupamento instrumental, com força, dinamismo e simpatia, quebrando a figura do maestro ditador, prepotente, que dita as ordens. Este maestro em questão sorri.
Eu nem sabia da existência de tantos instrumentos, cravo, órgão tímpanos, carrilhão sinfônico, trompas, tubas, oboés, fagotes, contrafagotes (pesquei na net), cada um com a sua função. Lembrei do que senti ao ouvir a primeira música, sensação de receber um passe, uma energia divina. Talvez hoje eu possa discutir religião. Nesta noite eu à vi de uma forma especial. Imaginei que cada instrumento tocado ali, pretendia tocar à Deus, ao divino, assim, como toda e qualquer religião, que tem como função, chegar ao Pai, ao mestre, e com sons tão distintos, elas se unem num só objetivo, a harmonia.
O mundo está precisando de mais apresentações promocionais de orquestras sinfônicas, para que todos, ricos e pobres, possam chegar a harmonia espiritual, ou então entremos em uma igreja, terreiro, centro espírita... Mas, que encontremos a paz!

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22.4.09

Voos na cordialidade brasileira


Hoje comecei o regime, aquele... que inicio toda semana.
Sentei em frente à Tv para ouvir as primeiras notícias do dia, antes de partir para faculdade, aquela... que pago para aprender a “fórmula mágica” de informar. Enfim, com um copo de suco, sem açúcar (à dieta) nas mãos, me sento ao sofá, imaginando estar degustando o croissant com suquinho de maçã de Seu Jorge, ou melhor, das burguesinhas. Nesse momento de liberdade imaginária, me deparo com a realidade, mais um escândalo vindo de Brasília, ou melhor, de São Paulo com destino à Paris, ou do Rio de Janeiro com escala em Nova Iorque, mas tem também de Salvador direto para a Europa. Hummm é a velha cordialidade brasileira (Contada por Sérgio Buarque de Holanda), dando as caras.
O próprio presidente da Câmera, Michel Temer, afirma que isso é coisa antiga, de 20, 30 anos atrás, e humildemente, afirma ter cedido passagens aéreas para familiares voarem junto com o dinheiro do contribuinte. Mas, o excelentíssimo senhor Michel Temer, argumenta que não existem leis muito claras em relação as milhas, aos gastos públicos, etc. Outros deputados e senadores pegaram “ponga” nesse discurso. E se pensarmos bem... Bem lá no fundo... No fundinho mesmo... C... De bêbado não tem dono!

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19.4.09

Mulher na direção e eu na contramão


Na eminência de concluir uma vídeo reportagem sobre mulheres que dirigem ônibus em Salvador, me deparei com tamanho obstáculo... a vaidade humana.
Srª. Lindaura chefe do departamento pessoal de uma empresa de ônibus, que tem como motoristas duas mulheres, é a única responsável em autorizar o acesso às informações e contatos. Sentindo-se importante Lindaura pede para esperar, diz que não pode atender, ou que está viajando e só volta na próxima semana. Um jornalista não pode desistir de sua fonte, mas pode procurar por outras. No mesmo dia que decide procurar outra empresa, consegui todas as informações e itinerários das motoristas, mas continuei a peregrinação com Srª Lindaura, talvez por curiosidade, queria mesmo era saber qual seria a resposta final da vaidade, ou melhor, de Lindaura depois de um mês de insistência. Nesse meio tempo consegui contatos para outros trabalhos acadêmicos com pessoas digamos, menos vaidosas como Lia Robnatto, coreógrafa e autora de mais 30 espetáculos de dança, que publicou o livro "Passos da Dança na Bahia”, em parceria com Lúcia Mascarenhas. Dirigiu o BTCA, implantou a Escola de Dança da FUNCEB, primeira escola pública dedicada à linguagem do país, coordenou a Usina de Dança do Projeto Axé, assim como o jornalista e crítico de dança Joceval Santana, também Cristina Castro, dançarina, diretora, coreógrafa e professora de dança contemporânea, Dulce Aquino, diretora da Escola de dança da Universidade Federal da Bahia (UFBA), graduada em dança pela UFBA, com doutorado em Comunicação e Semiótica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, e finalmente Lúcia Mascarenhas, que recebeu a nossa equipe em sua casa. Todas as pessoas citadas se dispuseram, já no primeiro contato, para possíveis entrevistas. Comentei o caso ou o descaso, o desinteresse humano pelo próximo, como no “caso Lindaura”, à Lúcia Mascarenhas e fizemos uma comparação de ofícios, cheguei a conclusão de que Lindaura não deve exercer a função da qual sonhou, não deve ser uma pessoa realizada. O profissional de dança, de teatro, de música... Das artes, geralmente são mais entregues, são mais felizes, porque a arte envolve mais que o intelecto, que o retorno financeiro, que a concorrência, a arte envolve coração, vida, e a vaidade do artista fica restrita aos aplausos, ao reconhecimento. Acho que Lindaura deveria fazer teatro, ela precisa de aplausos.
Ah! Tenho que relatar que finalmente Lindaura deu o meu contato a uma motorista de ônibus, curiosamente o nome é Socorro. Eu preciso mesmo disso! Socorro é muito simpática e quando desabafei com ela, ao telefone, sobre as dificuldades de conseguir o seu contato, ela me respondeu: “Sou mais difícil de encontrar do que a mulher de Lula, sou uma pessoa muito importante, sabia?” E sorriu. Aplausos para Socorro ela merece!

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4.4.09

“Rio, rio, rio... Rio pra não chorar!”



Camoro, em tupi Rio Vermelho. Assim foi batizado o bairro pelos Tupinambás, primeiros moradores da região. Logo depois, sentindo O cheiro da maresia, do peixe frito, e das constantes festas, surge o primeiro morador ilustre do Rio Vermelho, o náufrago Diogo Álvares Côrrea, logo batizado de “Caramuru”, provável tripulante de um navio francês. Já ouvi dizer, que os posteriores europeus a habitar a Bahia eram prisioneiros a cumprir pena no novo continente, além de prostitutas, malandros, enfim, toda a corja rejeitada pela Côrte. Não me atentei pela veracidade da história, apenas pela curiosidade da mistura. Índios que tinham como finalidade na vida... Viver! Onde a arte, o prazer, o ócio não se desvencilhava do ofício. “No moinho de gastar gente”, veio o fim da escravidão e o negro perdeu a “proteção patriarcal”, mas, a alegria e a fé, por serem natas, permaneceram. Os caprichos, os dengos dos inhos e inhas se multiplicaram, se misturaram.
Mais de quatro décadas depois... A população não mudou muito. Há ilustres, famosos, boêmios como os índios... Índios da arte, da festa e do lazer, negros que infestam o bairro com cheiro de dendê, de suor do puxar a rede, da reza nos terreiros, e nas igrejas dos jesuítas. Hoje, o Rio Vermelho é conhecido como o bairro da boêmia, da cultura, da arte... Da cachaça, dos sacizeiros, dos pivetes, dos malandros.
O Rio Vermelho é ponto de partida para os regaes: “Bora tomar um aperitivo antes do show, véi”, e ponto de chegada: “Vamo tomar a saideira no mercado do peixe, brother!”. Esse é um dos dialetos falados no bairro dos tempos atuais, mas tem também dialetos sofisticados, já que, com suas dezenas de possibilidades de degustação de culinárias de todo o mundo e da Bahia, o Rio Vermelho também é lugar propício a High Society, dos intelectuais, que desfilam com seus automóveis luxuosos pelo bairro. Só não dá pra desfilar pelas calçadas, são cheias de sinais do tempo. Há quanto tempo ando por essas ruas? Tenho em cada cratera daquelas pedras inglesas, como um bem, ou melhor, um mal familiar. Buzinadas, luxo, lixo, e o vendedor de taboca, que aparece em minha rua toda noite de sexta-feira, tocando o seu sino, tilitintando pra lá e pra cá, às onze horas da noite, até os vizinhos acenderem suas luzes, e gritarem “eu quero dormir!”, então, ele responde, cambaleando de tão bêbado: “A taboca acabou! Só amanhã, agora! E vai... sem destino, tilitintando”.
Hoje, o Rio não é mais vermelho, é marrom e fedido, bem característicos dos dejetos que são expelidos, através de movimentos peristálticos dos seres vivos. Os tupinambás não mais se lavariam nessas águas. Talvez, por desgosto ou com muito gosto, beberiam da mesma água que faz do velho vendedor de taboca, ser tão gentil com os moradores, do bairro, vindo avisar que acabou!

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Os filhos da filha de Chiquita Bacana



O toque da sirene. O apagar das luzes. Silêncio. O espetáculo vai começar. Eis que surge o primeiro contato platéia e espectador, a voz. A atriz Rita Assemany com sua voz aveludada começa a interpretação. Em um cenário simplório, contando apenas com papéis espalhados pelo chão e instrumentos. Atraso e descompasso entre som e luz, marcam o início da peça “Os filhos da filha de Chiquita Bacana”.
A atriz está descalça, passando total liberdade com o cenário. Figurino em branco fazendo uma aproximação maior com a figura da baiana, saia e blazer branco com sutis “confetes” coloridos dando maior alegria à roupa e fazendo combinação com o seu lenço que prende os cabelos. Os dois instrumentistas, que completam o quadro, seguem a mesma linha de figurino, calça e paletó branco com camisa listrada em branco e vermelho, estampando a boemia e malandragem brasileira.
Roteiro forte, com pitadas de ironias, sarcasmos, brincadeiras e um certo desdém com a figura baiana, fazendo um paralelo com a sua explícita paixão narcisista. O texto começa contando a história de um negro, escravo vindo pra Bahia e gostando muito... Tanto que pediu a Deus para reencarnar no mesmo lugar, volta como um sertanejo “arretado, cabra da peste” e gosta ainda mais. “Nem aí pro bem ou pro mal”. A sua paixão em ser baiano o traz em outra encarnação, agora como um artista baiano. O roteiro é intercalado com canções regionais, com muita influência musical do recôncavo baiano. A iluminação acompanha o ritmo das canções, mas, não de forma harmônica.
A paixão pela Bahia está muito presente nos textos. Porém, não deixa de ironizar o jeito “molengo” de ser do baiano e promover o preconceito sulista com o mesmo. A atriz tem alguns deslizes, tropeçando nas palavras.
A sonoplastia peca pelos erros técnicos iniciais, porém, logo tocam de forma harmônica e sincronizada com a musicalidade de Semani, e os músicos brincam com gestos e expressões tendo momentos de interação com o texto e a atriz.
Luz, som, gestos e voz, têm total sincronia quando fala da chegada do navio negreiro na Bahia. “Branco se você soubesse do valor que o preto tem...” O texto ganha maior densidade quando fala dos Capitães de areia, de Jorge Amado. Crianças réus e vítimas. Porém, não desperta tanta emoção já que o texto é lido. Logo depois, há interpretação sem leitura de textos, quando o roteiro faz uma analogia dos Capitães de areia, de Amado aos sacizeiros, de Brown.
Falando da culinária, há um merchandising, quando a atriz, passa a “vender o peixe” de famosos cozinheiros e quituteiras baianas.
“Vamo comer, vamo comer... Se não tiver...”. Neste momento o ritmo fica mais pesado, som, luz, e voz, conseguem prender a atenção e chamá-la para as desgraças que acontecem na Bahia, como a fome, a poluição... Mas, puxa para a comédia, dizendo que o baiano sabe transformar dor em prazer. “A Bahia é bonita, gostosa e dadeira”.
Os óculos com armação vermelha, que são utilizados para ler o texto que não foi decorado, combinam com os sapatos vermelhos que não são calçados, que combinam com o batom vermelho que emolduram a voz. Voz que canta encantando. Essas cores são ocultadas nas unhas, que são ofuscadas, pelos movimentos, gestos, protestos... Das mãos.
O texto retoma a crítica, agora contra a violência urbana, fazendo paralelo com a violência na política brasileira. Chamando a responsabilidade social, que nada faz. A crítica continua com a educação. A atriz, com efeitos sonoros faz voz infantil, a iluminação acompanha. Texto forte sobre as verbas desviadas da educação para o carnaval.
O espetáculo finaliza com uma súplica pela Bahia perfeita, “arquitetada pelos nossos sonhos”.
A peça, o roteiro, direção, interpretação, sonoplastia, música, iluminação, figurino, todas as partes que se juntam para se transformar no espetáculo, remete o telespectador a uma interpretação de um ponto de vista, que nada mais é que a vista de um ponto.

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8.3.09

Carnaval Salvador 2009 Análise das transmissões nas TVs


Todos os meios de comunicação dão uma enorme atenção a este evento que é o carnaval de Salvador, para isso é montado um grande esquema pela prefeitura, que conta com a colaboração da Secretaria Municipal de Comunicação, possibilitando assim, a transmissão dessa festa para toda a imprensa local, nacional e internacional. É sobre essa transmissão, das Televisões locais além da BAD, que será desenvolvida essa análise.

TV Educativa da Bahia (TVE) – “NOSSO CRANAVAL”
Por ser uma emissora de televisão pública brasileira, mantida pela Secretaria de Cultura do Estado da Bahia, a TVE não deixou de cumprir seu papel social e cultural na transmissão do carnaval de Salvador. Valorizando a cultura baiana a emissora conseguiu mostrar um carnaval alegre, e encantador, divulgando da melhor maneira, a imagem da maior festa popular do Brasil. Contando com a participação de Liliane Reis a transmissão passou a ser mais jovem e dinâmica.
No programa Balaio de gato houve uma entrevista com o Secretario do Meio Ambiente, Juliano Matos, onde foi explicitada a preocupação com o meio, com a higiene, mesmo dentro do ambiente lúdico que é o carnaval. Em entrevista com o cantor e compositor Carlinhos Brown, também foi levantada questões de caráter político e econômico, segurança, descriminalização, além da responsabilidade que o artista tem com público, com a sociedade.
Foi mostrado muito da presença afro no carnaval baiano, como os blocos afros, afoxé, apaches, ilê ayê, blocos de samba, o reggae na cena carnavalesca.. Além dos blocos de axé e suas celebridades, também teve destaque o carnaval do Pelourinho. Enfim, a TVE conseguiu sintetizar toda a cultura baiana dentro de seu espaço de transmissão, trazendo conscientização, reflexão, punho social e ecológico, cumprindo seu papel na sociedade baiana.

TV Bandeirantes (BAND) – “BAND FOLIA”
Completando 10 anos de transmissão no carnaval da Bahia, a Band traz uma grande estrutura, contando com uma equipe de mais de trezentas pessoas. Tem como foco o estrelismo. Com camarotes e estúdios nos dois principais circuitos da festa, a emissora se divide entre os grandes astros da Axé Music, estando eles na Barra ou no Campo Grande estará também a Band com seus ‘astros’ apresentadores. Não se vê muito além do que grandes blocos e muitos, muitos artistas, nestas transmissões. Pouco se mostra de cultura afro, carnaval tradicional, apenas quando o pop star do axé termina a passagem do trio é que a emissora passa a transmitir um pouco de tradição e cultura, porém dentro dos carnavais pernambucanos.
Ainda assim, a Band é uma grande propulsora do turismo na Bahia no período do carnaval. É uma vitrine mundial deste evento. Pecando apenas pela não disseminação dos valores afros da cultura baiana, também no carnaval.

TV Itapoan - “CARNAVAL ESCANCARA”
Com o tema “carnaval escancara, a TV que é a cara da Bahia” a TV itapoan divulga o lado mais violento do carnaval baiano. No programa Se liga Bocão, o apresentador incita a violência e a pancadaria, mostrando prazerosamente cenas de foliões baianos brigando no circuito Barra/Ondina, além de criticar outras emissoras argumentando que as mesmas só divulgam o carnaval da paz. Não se transmite muitas informações e suas transmissões têm base em confusões, agressões, violência. Mostrando meninos e adultos sendo preso, sem ética jornalística ou mesmo respeito a quem é filmado e quem está assistindo, revelando o verdadeiro sentido do tema escolhido pela emissora neste carnaval de 2009.

Rede Bahia – “ESSE BLOCO É SEU PAÍS”
Com mais de 160 pessoas trabalhando na equipe, a Rede Bahia vem mostrar um carnaval completo, um trabalho mais informativo, trazendo serviços, notícias, entrevistas com personalidades que fazem o carnaval no âmbito da música, de organização, como prefeitura, secretarias de turismo, segurança, cultura e outros que passam de uma forma dinâmica e objetiva o que o telespectador, folião ou não devem saber. A emissora peca pelo pouco tempo de transmissão destinada a ela, já que os horários nacionais tomam boa parte do tempo onde acontecem os melhores momentos do carnaval. Neste ponto, a Rede Bahia pode sim, perder audiência para a Band.

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